Política
Comissão da ALMT debate fortalecimento da piscicultura e aprova seis projetos de lei
Parlamentares, universidades e representantes do setor discutiram licenciamento ambiental, formação de cooperativas e investimentos para impulsionar a produção de pescado em MT
Política
A Comissão de Agropecuária, Desenvolvimento Florestal e Agrário e de Regularização Fundiária da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) analisou, nesta terça-feira (11), 12 projetos de lei e discutiu ações voltadas ao fortalecimento da piscicultura no estado. Entre os principais temas tratados estiveram o projeto-piloto que prevê o licenciamento ambiental de mais de dois mil empreendimentos aquícolas na Baixada Cuiabana, o financiamento da Associação Mato-Grossense dos Aquicultores (Aquamat) e a parceria técnica entre a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e a Aquamat para impulsionar o desenvolvimento sustentável do setor.
Participaram da reunião o presidente da comissão, deputado Nininho (Republicanos), o vice-presidente, Gilberto Cattani (PL), e o deputado Chico Guarnieri (PRD), além de representantes da Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf-MT), da Empresa de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), da Aquamat, prefeitos, vereadores e lideranças do setor.
Segundo o deputado Nininho, o objetivo é estruturar a cadeia produtiva por meio da criação de cooperativas, garantindo apoio técnico, financiamento e condições de comercialização.
“Nossa intenção é estruturar toda essa cadeia. A ideia é criarmos cooperativas para incluir no programa do Banco Mundial, buscando respaldo financeiro com recursos a fundo perdido, que não têm retorno, para realmente estruturar o pequeno produtor e viabilizar essa atividade”, explicou.
O parlamentar destacou ainda que Mato Grosso, que já foi líder nacional na produção de pescado, ocupa atualmente a sexta posição. “Temos água em abundância, tecnologia e profissionais qualificados. Falta apenas organização e incentivo para retomar o protagonismo”, afirmou.
Ronaldo Mazza
O professor Marcio Hoshiba, da UFMT e integrante do Núcleo de Estudos em Pesca e Aquicultura (Nepes), apresentou proposta de diagnóstico sobre as condições da piscicultura na Baixada Cuiabana. O estudo, estimado em R$ 1 milhão, pretende abranger cerca de 800 propriedades. “O levantamento vai permitir compreender as necessidades dos produtores, aprimorar a compra de insumos e desenvolver tecnologias adequadas à realidade local. O sucesso depende do fechamento da cadeia produtiva e da aplicação prática do conhecimento gerado pela pesquisa”, ressaltou.
O presidente da Aquamat, Darci Fornari, reforçou a necessidade de integração e verticalização da produção. “Temos potencial para sermos o maior produtor de peixe do Brasil. O que falta é entender a realidade de cada região e fortalecer as cooperativas. Hoje, 80% dos piscicultores são pequenos produtores, que trabalham de forma isolada e acabam perdendo competitividade. Queremos trazer o modelo de sucesso dos grandes para os pequenos, com escala e valor agregado”, disse.
Ele ainda destacou o papel estratégico do Legislativo. “Viemos bater à porta da Assembleia porque o Parlamento tem força e pode direcionar políticas públicas para impulsionar o setor”, completou.
A secretária de Estado de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, informou que a piscicultura será contemplada pelo Programa MT Produtivo, financiado pelo Banco Mundial. “O edital vai destinar recursos para fortalecer as cadeias produtivas da agricultura familiar, com investimento total estimado em 100 milhões de dólares nos próximos cinco anos. Parte desse valor será voltada especificamente à piscicultura, priorizando ações sustentáveis e cooperativas estruturadas”, explicou.
O presidente da Empaer, Suelme Fernandes, lembrou que o estado já conta com polos produtivos consolidados e que novas iniciativas estão em andamento.
“Temos projetos de integração entre piscicultura e horticultura, financiamentos acessíveis e programas de baixo custo que trazem resultados imediatos. Somente neste ano, destinamos R$ 96 milhões para pequenos projetos, incluindo a piscicultura”, destacou.
Durante a reunião, seis projetos de lei foram aprovados, quatro receberam pedido de vista e dois foram rejeitados. Veja alguns dos projetos analisados:
PL 1142/2025; PL 1234/2025; PL 1331/2025; PL 1429/2025; PL 1430/2025; PL 1693/2025; PL 1431/2025; PL 1655/2023;PL 1790/2023.
A Comissão de Agropecuária é considerada uma das mais estratégicas da ALMT, dada a relevância econômica do setor produtivo em Mato Grosso.
Política
Debate na ALMT expõe crise no Samu em MT, com demissões, baixa cobertura e promessa de reforço federal
Reunião com representante do Ministério da Saúde discute desligamento de profissionais, possível desativação de unidades e envio de novas ambulâncias ao estado
A Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso debateu, nesta terça-feira (28), a situação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no estado, em meio à demissão de 56 profissionais na Baixada Cuiabana e à possibilidade de desativação de unidades. O encontro teve a presença de representantes do Ministério da Saúde, do governo do estado e servidores do serviço de urgência para discutir alternativas que evitem o enfraquecimento do atendimento em Cuiabá, Várzea Grande e região.
Durante o encontro, o diretor do Ministério da Saúde, Fernando Figueira, apontou que a cobertura do serviço em Mato Grosso é de cerca de 58%, abaixo da média nacional de 90%, e anunciou o envio de aproximadamente 52 novas ambulâncias. Autoridades estaduais e parlamentares também discutiram a necessidade de ampliar recursos, garantir a gestão do Samu na área da saúde e buscar soluções para evitar prejuízos no atendimento à população.
O Samu, na avaliação de Figueira, deve ser tratado como uma política de Estado, com continuidade e prioridade independentemente de gestões governamentais. “É uma política estruturante da saúde pública, que precisa de estabilidade e compromisso permanente”, afirmou.
O diretor também anunciou a ampliação da frota em todo o país. De acordo com ele, o governo federal prevê a entrega de até 4 mil ambulâncias até o final de junho. Para Mato Grosso, a estimativa é de que cerca de 52 novas unidades sejam destinadas, o que pode contribuir para ampliar o alcance do serviço no estado.
Foto: ANGELO VARELA / ALMT
Outro ponto ressaltado foi a necessidade de manter a gestão do Samu exclusivamente no âmbito da saúde. Figueira enfatizou que o serviço não deve estar subordinado a outros entes que não sejam da área, reforçando que a prioridade é evitar prejuízos à população e garantir a eficiência no atendimento de urgência e emergência.
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi (Podemos), afirmou que a reunião entre o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e os servidores do Samu representa “uma sinalização bastante positiva” para a categoria. Segundo ele, houve uma interpretação equivocada sobre um suposto encerramento do serviço. “Foi entendido de forma errada o fechamento do Samu, pintando o governador como um monstro que queria essa maldade. Isso não é a realidade”, declarou Russi.
O parlamentar também cobrou do diretor do Ministério da Saúde, Fernando Figueira, a ampliação dos repasses federais destinados aos municípios de Mato Grosso. De acordo com Russi, a insuficiência de recursos tem sido um dos principais entraves para a expansão do Samu no estado, diante da dificuldade financeira das prefeituras.
“O último reajuste foi em 2023, e os prefeitos estão cobrando. Em conversa com o governador, questionei se, caso os municípios queiram ampliar o serviço, o Estado entraria com a contrapartida. O governador é sensível e não quer que Mato Grosso permaneça entre os últimos colocados, mas avance nessa política pública”, afirmou Russi.
O governador Otaviano Pivetta afirmou que o Estado já destinou um aporte inicial de R$ 400 milhões ao SUS-Mato Grosso, com o objetivo de reduzir filas e eliminar esperas consideradas injustificadas no atendimento à população. Segundo ele, a iniciativa busca fortalecer o sistema público de saúde, respeitando sua natureza tripartite, que envolve responsabilidades compartilhadas entre União, estados e municípios.
Foto: ANGELO VARELA / ALMT
Pivetta destacou ainda que o Samu é um programa criado pelo governo federal para adesão dos municípios, permitindo a ampliação do atendimento de urgência e emergência em todo o país. Durante a fala, o governador também assumiu compromisso com os profissionais do Samu, garantindo que o Estado está disposto a assegurar o funcionamento do serviço em todos os municípios mato-grossenses.
Ele ressaltou que, ao longo dos anos, o crescimento do estado trouxe novos desafios e exigiu o fortalecimento de estruturas como o Corpo de Bombeiros, que, segundo ele, possui um quadro técnico qualificado, comparável ao do próprio Samu. Pivetta frisou que os servidores das duas instituições devem ser reconhecidos de forma igualitária, evitando comparações que possam gerar desvalorização.
Ao abordar a situação específica de Cuiabá, o governador relembrou que, em 2007, o município optou por não aderir ao Samu, firmando um acordo para que o governo estadual assumisse a implementação do serviço. Ele defendeu transparência no debate e disse não ter interesse em conflitos com os servidores.
Sobre a demissão de 56 colaboradores, Pivetta informou que irá convocar reuniões individuais ainda nesta semana para avaliar o cenário do Samu e do Corpo de Bombeiros na capital. O governador admitiu a possibilidade de rever contratos, destacando que a decisão será tomada de forma conjunta, com foco na eficiência do serviço e na responsabilidade com os recursos públicos.
O primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, deputado Dr. João (MDB), criticou possíveis mudanças no modelo atual do Samu, afirmando que o governo estaria “inventando a roda” ao propor alterações em um sistema que, segundo ele, já funciona.
O parlamentar destacou a relevância do Sistema Único de Saúde (SUS) como uma das principais referências do país e defendeu maior razoabilidade nas decisões da gestão estadual. Dr. João também manifestou expectativa de que o secretário de Saúde, Juliano Melo, conduza o tema com equilíbrio e encontre uma solução para o que classificou como um “imbróglio” envolvendo o Samu.
Para o deputado estadual Lúdio Cabral (PT), que está em licença, mas é integrante da Comissão de Saúde, o modelo atual de atendimento pré-hospitalar em Mato Grosso tem gerado críticas quanto à sua condução e organização, especialmente no que diz respeito ao papel do Samu e do Corpo de Bombeiros.
De acordo com Cabral, o médico regulador do Samu exerce função central no atendimento, atuando como se estivesse em um consultório ao orientar os primeiros procedimentos e acionar a rede adequada para cada ocorrência. Esse sistema permitiria maior eficiência e otimização de recursos, evitando, por exemplo, o envio simultâneo de viaturas distintas para o mesmo caso.
Mas na prática, segundo Cabral, o estado estaria se distanciando desse modelo. “Há apontamentos de que o Corpo de Bombeiros vem assumindo, de forma gradual, atribuições que seriam próprias do Samu, o que configuraria uma substituição indevida e não apenas atuação complementar”, disse o parlamentar.
Lúdio Cabral apontou que auditoria realizada pelo Ministério da Saúde – na semana passada – identificou falhas estruturais, como a ausência de um espaço exclusivo para a regulação médica, atualmente compartilhada com atendimentos do 190 e 193. Além disso, há inexistência de coordenação médica presencial, exigida por normas do Conselho Regional de Medicina.
Outro ponto sensível diz respeito à confidencialidade das informações de saúde, que, segundo o relato, não deveriam circular entre profissionais que não atuam diretamente na área médica. Soma-se a isso o impacto das 56 demissões recentes, que estariam comprometendo o funcionamento das ambulâncias, algumas das quais permanecem paradas por falta de equipes.
Apesar das críticas, de acordo com Cabral, a avaliação reforça que não se trata de sobrepor instituições, mas de alinhar o atendimento pré-hospitalar às diretrizes do SUS e aos protocolos do Samu, garantindo que o Corpo de Bombeiros atue de forma complementar. A necessidade, segundo ele, é de reestruturação e adequação técnica do sistema, com base em normas já estabelecidas, para assegurar a eficiência e a qualidade no atendimento à população.
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