Saúde
Hospital Regional de Sorriso amplia equipe e moderniza estrutura
Secretaria de Estado de Saúde convocou 135 profissionais aprovados em concurso e adquiriu 15 ventiladores pulmonares e três torres de vídeo para cirurgias na unidade regional
Saúde
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) reforçou a assistência no Hospital Regional de Sorriso em 2025, com a convocação de 135 novos profissionais aprovados em concurso público. Além do reforço no quadro de pessoal, a unidade recebeu investimentos em tecnologia, com a aquisição de 15 ventiladores pulmonares e três torres de vídeo para a realização de cirurgias.
Dentre os perfis convocados, estão enfermeiro, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo, biomédico, assistente social, farmacêutico, administrador, contador, técnico em enfermagem e técnico em imobilização ortopédica.
A SES investiu na incorporação de equipamentos estratégicos para qualificar o cuidado e renovar o parque tecnológico do hospital. Também foram adquiridas duas torres para exames de endoscopia e colonoscopia, e duas mesas cirúrgicas, modernizando a infraestrutura do bloco operatório.
“Os investimentos da atual gestão possibilitaram a realização de 29.222 cirurgias e 50.728 internações no Hospital Regional de Sorriso, entre janeiro de 2019 a 30 de novembro de 2025. São números expressivos que refletem a eficiência no atendimento à população”, avaliou o secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo.

O Hospital Regional de Sorriso registrou um salto significativo nas consultas especializadas: o número subiu de 29.398, de janeiro a 30 de novembro de 2024, para 44.334, no mesmo período de 2025. Com esse desempenho, a unidade soma 189.397 consultas desde janeiro de 2019.
Desde o início da atual gestão estadual, o hospital também realizou 237.470 exames de imagem, incluindo endoscopia, radiologia, tomografia, ressonância magnética e ultrassonografia, além de 1.161.388 exames laboratoriais, entre patologia clínica e anátomo-patológico.
Conforme destaca Oberdan Lira, secretário adjunto de Gestão Hospitalar da SES, o hospital fortaleceu diversos programas para assegurar a melhoria contínua dos atendimentos prestados.
“As visitas multiprofissionais garantem hoje um plano de cuidado integrado e diálogo constante com as famílias. Outro avanço foi a sala de vacina da maternidade, que assegura a proteção imediata dos recém-nascidos contra BCG e hepatite B. Neste ano, também criamos o Núcleo de Acesso e Qualidade Hospitalar (NAQH)”, pontuou.
Com um total de 12.782 partos realizados nos últimos sete anos, a unidade reforça o cuidado humanizado por meio de uma visita da gestante. A iniciativa da equipe de Saúde permite que a grávida conheça a maternidade com antecedência.
Segundo a diretora Ione Carvalho, o Hospital Regional de Sorriso registrou grande avanços na área da ginecologia e obstetrícia durante o ano de 2025.
“Com a criação da residência médica em ginecologia este ano, qualificamos o atendimento às gestantes. Para 2026, o nosso objetivo é implantar a residência em enfermagem obstétrica, o que ampliará a articulação ensino-serviço e fortalecerá a formação de especialista na atenção materno-infantil”, afirmou.
É importante destacar ainda que a unidade dispõe de residência médica em clínica médica. “Temos uma equipe reforçada para dar conta dos atendimentos à população da Macrorregião”, acrescentou.
Boas perspectivas para 2026
Para o ano de 2026, o Hospital Regional de Sorriso planeja avançar em ações estruturantes focadas na qualificação da assistência, fortalecimento da gestão e na ampliação da segurança do paciente.
“Em 2026, nossas metas incluem a contratação de engenharia clínica especializada para a gestão de equipamentos médico-hospitalares e a expansão do Programa Saúde Mental, com novas ações de acolhimento e bem-estar para toda a equipe”, concluiu a diretora.
O Hospital Regional de Sorriso possui 20 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), 101 leitos de enfermaria e 9 leitos de urgência e emergência, sendo 7 leitos de observação e 2 leitos de estabilização.
Saúde
Mato Grosso aplica R$ 5,6 bilhões na saúde e supera mínimo constitucional
Relatório aponta investimento de 16% no setor; apesar dos avanços em infraestrutura, mas ainda revela déficit de UTIs neonatais e pediátricas, além de desafios no combate à hanseníase e na saúde indígena
O balancete financeiro e orçamentário do 3º quadrimestre de 2025 da Secretaria de Estado de Saúde (SES) revela que Mato Grosso destinou R$ 5,669 bilhões à área, com 16% do orçamento aplicado acima do mínimo constitucional de 12%. Apresentado nesta quinta-feira (30), em audiência pública, à Comissão de Saúde, Previdência, Assistência Social da Assembleia Legislativa, o relatório destaca investimentos de R$ 891,4 milhões em obras e infraestrutura, mas também expõe desafios na qualidade do atendimento, como a falta de leitos de UTI neonatal e pediátrica em regiões como o Araguaia.
A apresentação do relatório foi feita pela chefe do Núcleo de Gestão da Secretaria de Estado de Saúde, Claudete de Souza Maria. De acordo com ela, o documento evidencia um esforço acima do mínimo constitucional na aplicação de recursos. Apesar de não representar um crescimento expressivo em relação aos últimos anos, Claudete afirmou que os investimentos já vinham sendo elevados desde 2023, consolidando uma tendência de priorização da área.
“O desempenho coloca Mato Grosso em posição de destaque na região Centro-Oeste em termos proporcionais de investimento em saúde. Nosso orçamento para a saúde foi de 16%, o que é relevante para o estado”, pontuou. Ela ressaltou ainda que a maior parte dos recursos é destinada às despesas correntes, como manutenção da estrutura e pagamento de pessoal, consideradas essenciais para o funcionamento da rede pública.
O relatório também aponta que a aplicação de R$ 891 milhões foi destinada à conclusão de unidades hospitalares e melhorias na infraestrutura da secretaria. Entre as ações, estão obras em hospitais estratégicos, como o Hospital Central, além da inauguração da nova sede da pasta no fim do ano. Para Claudete, os aportes reforçam o compromisso com a ampliação e qualificação da rede de atendimento.
Foto: ANGELO VARELA / ALMT
O presidente da Comissão de Saúde, deputado Dr. Eugênio (Republicamos), destacou que a exposição teve caráter técnico, centrado em números, sem espaço para debate mais aprofundado sobre a evolução da saúde pública em Mato Grosso. Segundo ele, apesar dos avanços significativos na infraestrutura com a entrega e conclusão de hospitais em diversas regiões, como o Hospital Central, ainda persistem problemas no atendimento à população.
O parlamentar afirmou que reconhece o esforço do governo em estruturar a rede física de saúde, mas ponderou que o próximo desafio é garantir que esses investimentos se traduzam em melhorias efetivas na assistência, levando serviços de qualidade à população.
Durante a audiência pública, ele questionou três pontos que foram poucos explorados pelo governo, como o baixo investimento em UTIs, que segundo ele, nos 34 municípios que compõem a região do Araguaia não há nenhum leito de UTI neonatal e de UTI pediátrica. Além do baixo investimento no combate a hanseníase e a saúde bucal indígena em Mato Grosso.
Segundo o parlamentar, muitas UTIs foram criadas, mas não foram regulamentadas. “Então essa é uma briga nossa para que nós possamos preencher esses vazios, principalmente da UTI neonatal e pediátrica. Outro número que chamou bastante atenção foi o investimento. Temos um vazio de 100% da questão envolvendo UTI pediátrico e neonatal no Araguaia”, disse Dr. Eugênio.
Outro ponto questionado pelo parlamentar foi a pouca atenção que o governo dá à saúde bucal às 46 etnias dos povos originários mato-grossenses. “O atendimento primário à saúde indígena é feito pelos municípios e acaba atingindo de uma certa forma, mas o secundário e o terciário não é feito nada, absolutamente nada “, disse o parlamentar.
Na avaliação do deputado Dr. Eugênio, Mato Grosso enfrenta um paradoxo: embora lidere a produção de commodities, também apresenta altos índices de hanseníase, problema que, segundo ele, ainda é negligenciado. O parlamentar destacou que, enquanto países como o Chile conseguiram erradicar a doença, o estado permanece entre os que mais registram casos no país.
Para ele, o enfrentamento da hanseníase precisa ser tratado como prioridade de saúde pública, com atuação conjunta entre municípios e governo estadual. Embora a execução das ações seja municipalizada, Dr. Eugênio defende que o Estado assuma protagonismo na coordenação e ampliação de políticas, especialmente por meio de educação continuada, como estratégia essencial para reduzir e, eventualmente, eliminar a doença.
