Polícia
Três mulheres são vítimas de feminicídio em menos de uma semana em MT
Mato Grosso registrou uma morte de mulher por dia entre terça (10) e quinta-feira (12) e chega a sete registros de feminicídio neste ano.
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Em menos de uma semana, três mulheres foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso. Gabia Socorro da Silva, de 38 anos, Stefane Pereira Soares, de 17 anos, e Simone da Silva Matiuzi, de 35 anos, foram mortas entre terça (10) e quinta-feira (12).
Ao todo, o estado já registrou seis casos de feminicídio em 2026, segundo dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público Estadual (MPE). Porém, o número deve subir para sete com a inclusão de Simone na lista. Ela foi morta atropelada em Vila Bela da Santíssima Trindade, a 562 km de Cuiabá, nessa quinta-feira. O principal suspeito é o namorado dela. (Veja os casos abaixo).
Gabia Socorro da Silva
Mulher é vítima de feminicídio e filhos são presos, suspeitos de vingar a morte da mãe
Gabia foi morta a facadas na terça-feira (10), em São José do Xingu (MT). O principal suspeito é o marido dela, Lourival Lucena Pinto Filho, de 32 anos, que, segundo testemunhas, foi agredido e sequestrado pelos enteados após o crime. Nesta sexta-feira (13), ele foi encontrado morto e enterrado em uma zona rural de Confresa (MT).
Após investigação, a polícia prendeu dois dos filhos de Gabia no mesmo dia do crime, durante o velório da mãe. No entanto, por decisão da Justiça, os suspeitos foram soltos. O juiz avaliou que não houve prisão no momento do crime nem perseguição contínua logo após os fatos, o que não caracterizou flagrante previsto na legislação. Lourival já havia sido preso anteriormente por agredir Gabia em um caso de violência doméstica.
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Lourival Lucena Pinto Filho, era apontado como principal suspeito do crime e foi encontrado morto e enterrado em Confresa(MT) — Foto: Reprodução
Stefane Pereira Soares
Na quarta-feira (11), a adolescente Estefane foi assassinada e jogada em um córrego, submersa com uma pedra sobre as costas, em uma tentativa de ocultação do crime, no bairro Três Barras, na capital. A Polícia Civil prendeu o irmão dela, Marcos Pereira Soares, de 23 anos, apontado como principal suspeito da morte.
Segundo a delegada responsável pelo caso, Jéssica Assis, o irmão da vítima possui histórico criminal e é considerado um “criminoso sexual em série”. Ele já havia sido condenado a 17 anos de prisão, mas saiu da penitenciária três dias antes do crime, após um erro no cadastro de processos judiciais.
Em nota, a Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso informou que instaurou procedimento para apurar as circunstâncias da soltura. O suspeito está novamente preso.

Homem é preso por torturar e matar irmã depois de ser solto do presídio de Várzea Grande (MT)
Simone da Silva Matiuzi
Simone da Silva Matiuzi foi encontrada morta após ser atropelada em Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) pelo então namorado, Paulo César Santos Vilela, de 33 anos, apontado como principal suspeito do crime. Ele já foi localizado e preso pela polícia.
De acordo com as informações repassadas à polícia pelos socorristas que atenderam a vítima, o suspeito teria passado diversas vezes com o veículo por cima dela. Perto do local também foi encontrado um macaco de carro, que pode ter sido usado para atingir a cabeça de Simone.
Uma testemunha, que esteve com as duas filhas no carro de Paulo e Simone pouco antes do crime, disse à Polícia Militar que o casal havia convidado todos para uma confraternização em um sítio. Na volta, dentro do veículo, os dois começaram a discutir.
Diante da situação, a testemunha pediu para sair do carro e disse não saber a dinâmica do que ocorreu depois. A região onde Simone foi encontrada é considerada isolada, o que torna mais complexa a reconstituição inicial dos fatos.
🚨Como pedir ajuda?
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Interface do aplicativo ‘SOS Mulher MT’ — Foto: Reprodução
Polícia
Operação da Polícia Civil mira membros de facção criminosa que atuam no norte de MT
Alvos executam ordens de liderança presa em presídio federal
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira (30.6), em Sinop, a Operação Extensão para cumprir dois mandados de busca e apreensão domiciliar contra investigados por integrarem uma facção criminosa na região norte do Estado.
Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 55 mil nas contas de um dos investigados, medida destinada a impedir a movimentação de valores supostamente vinculados às atividades criminosas.
Os mandados foram decretados pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Sinop, com base em investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco) de Cuiabá, que apuram os crimes de organização criminosa e lavagem de capitais.
O cumprimento das ordens judiciais contou com o apoio da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop. A operação teve como alvo principal L.S.P., conhecido como “Sapateiro”, apontado como integrante da facção criminosa na região norte do Estado.
Influência externa
As investigações tiveram início em 2024, quando o principal alvo da investigação foi transferido para o Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná. Porém, mesmo custodiado, ele continuaria exercendo influência sobre as atividades da facção criminosa.
Segundo as apurações, os alvos das buscas desempenham funções estratégicas para a estrutura criminosa, executando ordens repassadas pela liderança da facção, seja na distribuição fragmentada de valores provenientes das atividades ilícitas, seja na operacionalização das ações necessárias para a manutenção e o fortalecimento do grupo criminoso.
Durante as investigações, também foram identificados indícios de uma estrutura composta por operadores responsáveis pela movimentação financeira, suporte logístico, habilitação de linhas telefônicas, ocultação patrimonial e utilização de terceiros para dificultar o rastreamento dos valores obtidos de forma ilícita.
Com base nos elementos colhidos, a Polícia Civil representou pelas medidas judiciais, que foram deferidas pela Justiça. As buscas têm como objetivo apreender aparelhos celulares, documentos, mídias e outros elementos que contribuam para o avanço das investigações, bem como identificar novos integrantes e fortalecer as provas relacionadas aos crimes investigados.
Operação Extensão
O nome da operação faz referência à estratégia adotada pela facção criminosa de ampliar a atuação de sua principal liderança por meio de integrantes e pessoas interpostas que, mesmo sem vínculo direto e aparente com o líder preso, executariam suas determinações, permitindo a continuidade das atividades criminosas e estendendo a influência da facção na região.
Operação Pharus
A operação integra os trabalhos do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, por meio da Operação Pharus, dentro do Programa Tolerância Zero, voltado ao combate às facções criminosas em todo o Estado.
