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Saúde

Cuiabá registra queda de 66% nos casos de Covid-19 e reforça importância da vacinação

Publicado em

Saúde

Emanoele Daiane

A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), divulgou o Boletim Epidemiológico de Vigilância dos Vírus Respiratórios referente às semanas epidemiológicas 01 a 44 de 2025, período de 29 de dezembro de 2024 a 1º de novembro de 2025. O levantamento aponta um dado animador: os casos de Covid-19 caíram 66,2% em relação ao mesmo período de 2024.
Neste ano, foram registradas 1.423 notificações de Covid-19, contra 4.206 no ano anterior. O número de óbitos também teve redução de 42,9%, e a taxa de mortalidade foi considerada muito baixa, de 1,32 por 100 mil habitantes, conforme a Vigilância Epidemiológica.

De acordo com a secretária municipal de Saúde, Danielle Carmona, o resultado é fruto do comprometimento da população e do trabalho das equipes de saúde.
“Essa queda expressiva demonstra o impacto direto da vacinação e do monitoramento contínuo feito pelas nossas equipes. A imunização é uma ferramenta segura e eficaz, que salva vidas e evita complicações”, destacou.

Cerca de 86% dos pacientes atendidos com diagnóstico de Covid-19 são moradores da capital, o que mostra a efetividade das ações locais de prevenção e vigilância.

Por outro lado, o boletim também aponta um aumento nos casos de Influenza A e B em 2025. Foram 1.478 notificações, sendo 1.268 entre residentes de Cuiabá. A maioria dos casos ocorreu em crianças de 0 a 6 anos e em idosos acima de 60 anos, grupos que merecem atenção especial.

O dado que mais preocupa é que a maioria dos óbitos por Influenza ocorreu entre pessoas que não estavam vacinadas há pelo menos um ano. Segundo a Vigilância Epidemiológica, o cenário reforça a importância de manter o esquema vacinal em dia, especialmente entre os grupos prioritários.

“A vacina é a forma mais eficaz de evitar complicações graves. Quando a cobertura vacinal diminui, aumentam os casos e internações por doenças respiratórias”, alertou Danielle Carmona.

Mesmo com a queda significativa da Covid-19, a Secretaria de Saúde reforça que o vírus ainda circula e que a imunização deve ser contínua. Após a aplicação, a vacina leva cerca de duas semanas para se tornar efetiva no organismo, período necessário para o corpo produzir anticorpos protetores.

Vacinas disponíveis na rede municipal

Cuiabá oferece gratuitamente todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação, incluindo as doses contra Covid-19 e Influenza, disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Crianças (0 a 9 anos): BCG, Hepatite B, Penta, Poliomielite, Pneumocócica 10-valente, Rotavírus humano, Meningocócica C e ACWY, Tríplice viral, Tetraviral, Febre amarela, Influenza, Covid-19, Hepatite A e Varicela.

– Adolescentes e jovens (10 a 24 anos): HPV, Meningocócica ACWY, Hepatite B, dT, Febre amarela, Tríplice viral, Pneumocócica 23-valente e Varicela (para indígenas e profissionais de saúde).
– Adultos (25 a 59 anos): Hepatite B, dT, Febre amarela, Tríplice viral, Pneumocócica 23-valente e Varicela (para profissionais de saúde e indígenas).
– Idosos (a partir de 60 anos): Hepatite B, dT, Febre amarela (conforme avaliação médica), Tríplice viral (para trabalhadores da saúde), Pneumocócica 23-valente, Varicela (para indígenas e profissionais de saúde), Influenza e Covid-19.

A Secretaria Municipal de Saúde reforça que manter a caderneta de vacinação

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Saúde

Mato Grosso aplica R$ 5,6 bilhões na saúde e supera mínimo constitucional

Relatório aponta investimento de 16% no setor; apesar dos avanços em infraestrutura, mas ainda revela déficit de UTIs neonatais e pediátricas, além de desafios no combate à hanseníase e na saúde indígena

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ANGELO VARELA / ALMT

O balancete financeiro e orçamentário do 3º quadrimestre de 2025 da Secretaria de Estado de Saúde (SES) revela que Mato Grosso destinou R$ 5,669 bilhões à área, com 16% do orçamento aplicado acima do mínimo constitucional de 12%. Apresentado nesta quinta-feira (30), em audiência pública, à Comissão de Saúde, Previdência, Assistência Social da Assembleia Legislativa, o relatório destaca investimentos de R$ 891,4 milhões em obras e infraestrutura, mas também expõe desafios na qualidade do atendimento, como a falta de leitos de UTI neonatal e pediátrica em regiões como o Araguaia.

A apresentação do relatório foi feita pela chefe do Núcleo de Gestão da Secretaria de Estado de Saúde, Claudete de Souza Maria. De acordo com ela, o documento evidencia um esforço acima do mínimo constitucional na aplicação de recursos. Apesar de não representar um crescimento expressivo em relação aos últimos anos, Claudete afirmou que os investimentos já vinham sendo elevados desde 2023, consolidando uma tendência de priorização da área.

“O desempenho coloca Mato Grosso em posição de destaque na região Centro-Oeste em termos proporcionais de investimento em saúde. Nosso orçamento para a saúde foi de 16%, o que é relevante para o estado”, pontuou. Ela ressaltou ainda que a maior parte dos recursos é destinada às despesas correntes, como manutenção da estrutura e pagamento de pessoal, consideradas essenciais para o funcionamento da rede pública.

O relatório também aponta que a aplicação de R$ 891 milhões foi destinada à conclusão de unidades hospitalares e melhorias na infraestrutura da secretaria. Entre as ações, estão obras em hospitais estratégicos, como o Hospital Central, além da inauguração da nova sede da pasta no fim do ano. Para Claudete, os aportes reforçam o compromisso com a ampliação e qualificação da rede de atendimento.


Foto: ANGELO VARELA / ALMT

O presidente da Comissão de Saúde, deputado Dr. Eugênio (Republicamos), destacou que a exposição teve caráter técnico, centrado em números, sem espaço para debate mais aprofundado sobre a evolução da saúde pública em Mato Grosso. Segundo ele, apesar dos avanços significativos na infraestrutura com a entrega e conclusão de hospitais em diversas regiões, como o Hospital Central, ainda persistem problemas no atendimento à população.

O parlamentar afirmou que reconhece o esforço do governo em estruturar a rede física de saúde, mas ponderou que o próximo desafio é garantir que esses investimentos se traduzam em melhorias efetivas na assistência, levando serviços de qualidade à população.

Durante a audiência pública, ele questionou três pontos que foram poucos explorados pelo governo, como o baixo investimento em UTIs, que segundo ele, nos 34 municípios que compõem a região do Araguaia não há nenhum leito de UTI neonatal e de UTI pediátrica. Além do baixo investimento no combate a hanseníase e a saúde bucal indígena em Mato Grosso.

Segundo o parlamentar, muitas UTIs foram criadas, mas não foram regulamentadas. “Então essa é uma briga nossa para que nós possamos preencher esses vazios, principalmente da UTI neonatal e pediátrica. Outro número que chamou bastante atenção foi o investimento. Temos um vazio de 100% da questão envolvendo UTI pediátrico e neonatal no Araguaia”, disse Dr. Eugênio.

Outro ponto questionado pelo parlamentar foi a pouca atenção que o governo dá à saúde bucal às 46 etnias dos povos originários mato-grossenses. “O atendimento primário à saúde indígena é feito pelos municípios e acaba atingindo de uma certa forma, mas o secundário e o terciário não é feito nada, absolutamente nada “, disse o parlamentar.

Na avaliação do deputado Dr. Eugênio, Mato Grosso enfrenta um paradoxo: embora lidere a produção de commodities, também apresenta altos índices de hanseníase, problema que, segundo ele, ainda é negligenciado. O parlamentar destacou que, enquanto países como o Chile conseguiram erradicar a doença, o estado permanece entre os que mais registram casos no país.

Para ele, o enfrentamento da hanseníase precisa ser tratado como prioridade de saúde pública, com atuação conjunta entre municípios e governo estadual. Embora a execução das ações seja municipalizada, Dr. Eugênio defende que o Estado assuma protagonismo na coordenação e ampliação de políticas, especialmente por meio de educação continuada, como estratégia essencial para reduzir e, eventualmente, eliminar a doença.

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