Saúde
Doador de sangue do MT Hemocentro garante inscrição na Corrida de Reis
Unidade atenderá os voluntários por ordem de chegada na quinta e sexta-feira (18 e 19.12) para reforçar os estoques de sangue neste final de ano
Saúde
O MT Hemocentro, único banco de sangue público de Mato Grosso, realiza campanha, em parceria com a TV Centro América, para reforçar os estoques no período de recesso de final de ano, quem doar sangue nesta quinta e sexta-feira (18 e 19.12) ganhará a inscrição para participar da 41ª edição da Corrida de Reis.
As doações serão realizadas por ordem de chegada, sem necessidade de agendamento prévio, na sede da unidade, na rua 13 de Junho, 1.055, das 7h30 às 18h, sem pausa para o almoço.
Segundo o diretor do MT Hemocentro, Fernando Henrique Modolo, esta campanha solidária é realizada desde 2018, com exceção de 2021, em que não ocorreu por causa da pandemia, e é sempre um sucesso.
“Vamos dar a oportunidade para que atletas que não conseguiram se inscrever na corrida possam fazer uma boa ação de ajudar o próximo com a doação de sangue feita no MT Hemocentro e serem contemplados com a concorrida inscrição”, afirmou.
A novidade deste ano é que a inscrição será efetivada no próprio MT Hemocentro, o corredor já vai embora da unidade cadastrado na Corrida de Reis. Em anos anteriores, era entregue um comprovante ao doador para a realização da inscrição em uma loja física parceira posteriormente.
“Importante destacar que esta campanha é fundamental para reforçar os estoques de sangue neste final de ano, período com feriados em que não há coleta normal, quando ocorrem mais acidentes e a demanda por sangue aumenta muito, e que as pessoas, tradicionalmente, comparecem menos para doação”, explicou o diretor.
A ação também incentiva a doação de sangue ao longo do ano inteiro e, ao mesmo tempo, promove hábitos saudáveis da população.
“Ficamos muito felizes em dias de campanhas como esta que atraem muitos doadores ao MT Hemocentro. E é essencial que as pessoas percebam a relevância de salvar vidas com um ato simples como doar sangue e se conscientizem para voltar várias vezes a partir de 2026”, avaliou.
A prova da Corrida de Reis será realizada no dia 11 de janeiro, no Parque Novo Mato Grosso, em um trajeto de 10 km, e é exclusiva para quem tiver mais de 18 anos em 31 de dezembro de 2025.
Serviço
O voluntário que quiser doar sangue precisa apresentar um documento oficial com foto, pesar 50kg ou mais, estar em bom estado de saúde e ter feito uma refeição equilibrada: o doador deve estar bem alimentado para poder efetuar a doação e não pode estar em jejum.
Podem doar pessoas com idade entre 16 e 69 anos, 11 meses e 29 dias. Quem tem entre 60 e 69 anos só poderá doar sangue se já tiver doado antes dos 60 anos. Adolescentes de 16 e 17 anos devem levar uma autorização dos pais ou responsável legal para fazer a doação.
Homens podem doar até quatro vezes ao ano, com um intervalo de dois meses entre as doações; já as mulheres são limitadas a três doações anuais, respeitando o intervalo de três meses. Em cada doação, são coletados até 450 ml de sangue e recomenda-se evitar exercícios físicos e consumo de álcool no dia da coleta.
O banco de sangue fornece o comprovante de comparecimento ao doador. Para quem compareceu e, por algum motivo, não pôde doar, o MT Hemocentro dá um comprovante de comparecimento e, para quem efetuou a doação de sangue, é entregue o atestado de doação de sangue para justificar a ausência no trabalho.
Saúde
Mato Grosso aplica R$ 5,6 bilhões na saúde e supera mínimo constitucional
Relatório aponta investimento de 16% no setor; apesar dos avanços em infraestrutura, mas ainda revela déficit de UTIs neonatais e pediátricas, além de desafios no combate à hanseníase e na saúde indígena
O balancete financeiro e orçamentário do 3º quadrimestre de 2025 da Secretaria de Estado de Saúde (SES) revela que Mato Grosso destinou R$ 5,669 bilhões à área, com 16% do orçamento aplicado acima do mínimo constitucional de 12%. Apresentado nesta quinta-feira (30), em audiência pública, à Comissão de Saúde, Previdência, Assistência Social da Assembleia Legislativa, o relatório destaca investimentos de R$ 891,4 milhões em obras e infraestrutura, mas também expõe desafios na qualidade do atendimento, como a falta de leitos de UTI neonatal e pediátrica em regiões como o Araguaia.
A apresentação do relatório foi feita pela chefe do Núcleo de Gestão da Secretaria de Estado de Saúde, Claudete de Souza Maria. De acordo com ela, o documento evidencia um esforço acima do mínimo constitucional na aplicação de recursos. Apesar de não representar um crescimento expressivo em relação aos últimos anos, Claudete afirmou que os investimentos já vinham sendo elevados desde 2023, consolidando uma tendência de priorização da área.
“O desempenho coloca Mato Grosso em posição de destaque na região Centro-Oeste em termos proporcionais de investimento em saúde. Nosso orçamento para a saúde foi de 16%, o que é relevante para o estado”, pontuou. Ela ressaltou ainda que a maior parte dos recursos é destinada às despesas correntes, como manutenção da estrutura e pagamento de pessoal, consideradas essenciais para o funcionamento da rede pública.
O relatório também aponta que a aplicação de R$ 891 milhões foi destinada à conclusão de unidades hospitalares e melhorias na infraestrutura da secretaria. Entre as ações, estão obras em hospitais estratégicos, como o Hospital Central, além da inauguração da nova sede da pasta no fim do ano. Para Claudete, os aportes reforçam o compromisso com a ampliação e qualificação da rede de atendimento.
Foto: ANGELO VARELA / ALMT
O presidente da Comissão de Saúde, deputado Dr. Eugênio (Republicamos), destacou que a exposição teve caráter técnico, centrado em números, sem espaço para debate mais aprofundado sobre a evolução da saúde pública em Mato Grosso. Segundo ele, apesar dos avanços significativos na infraestrutura com a entrega e conclusão de hospitais em diversas regiões, como o Hospital Central, ainda persistem problemas no atendimento à população.
O parlamentar afirmou que reconhece o esforço do governo em estruturar a rede física de saúde, mas ponderou que o próximo desafio é garantir que esses investimentos se traduzam em melhorias efetivas na assistência, levando serviços de qualidade à população.
Durante a audiência pública, ele questionou três pontos que foram poucos explorados pelo governo, como o baixo investimento em UTIs, que segundo ele, nos 34 municípios que compõem a região do Araguaia não há nenhum leito de UTI neonatal e de UTI pediátrica. Além do baixo investimento no combate a hanseníase e a saúde bucal indígena em Mato Grosso.
Segundo o parlamentar, muitas UTIs foram criadas, mas não foram regulamentadas. “Então essa é uma briga nossa para que nós possamos preencher esses vazios, principalmente da UTI neonatal e pediátrica. Outro número que chamou bastante atenção foi o investimento. Temos um vazio de 100% da questão envolvendo UTI pediátrico e neonatal no Araguaia”, disse Dr. Eugênio.
Outro ponto questionado pelo parlamentar foi a pouca atenção que o governo dá à saúde bucal às 46 etnias dos povos originários mato-grossenses. “O atendimento primário à saúde indígena é feito pelos municípios e acaba atingindo de uma certa forma, mas o secundário e o terciário não é feito nada, absolutamente nada “, disse o parlamentar.
Na avaliação do deputado Dr. Eugênio, Mato Grosso enfrenta um paradoxo: embora lidere a produção de commodities, também apresenta altos índices de hanseníase, problema que, segundo ele, ainda é negligenciado. O parlamentar destacou que, enquanto países como o Chile conseguiram erradicar a doença, o estado permanece entre os que mais registram casos no país.
Para ele, o enfrentamento da hanseníase precisa ser tratado como prioridade de saúde pública, com atuação conjunta entre municípios e governo estadual. Embora a execução das ações seja municipalizada, Dr. Eugênio defende que o Estado assuma protagonismo na coordenação e ampliação de políticas, especialmente por meio de educação continuada, como estratégia essencial para reduzir e, eventualmente, eliminar a doença.
