Saúde
MT Hemocentro marca 32 anos com programação especial nesta segunda-feira (16)
Ao longo das mais de três décadas, unidade recebeu 900.646 doações de sangue dos 323.022 doadores cadastrados
Saúde
O MT Hemocentro, único banco de sangue público de Mato Grosso, reúne nesta segunda-feira (16.3), a partir das 8h, doadores e servidores para comemorar o seu aniversário de 32 anos, completados neste domingo (15). Ao longo das mais de três décadas, a unidade recebeu 900.646 doações de sangue dos 323.022 doadores cadastrados.
A coleta de sangue funcionará normalmente nesta segunda-feira, das 7h30 às 18h, sem pausa para o almoço, na Rua 13 de Junho, 1.055, em Cuiabá. A banda da Polícia Militar fará uma apresentação para entreter o público.
“O MT Hemocentro presta um serviço excepcional na coleta do sangue utilizado nos hospitais públicos de Mato Grosso para salvar vidas, motivo de muito orgulho para o Estado. Nada mais justo do que comemorar o aniversário com as pessoas solidárias que doam seu sangue na unidade”, afirmou o secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo.
A secretária adjunta de Unidades Especializadas da SES, Patrícia Neves, convida os mato-grossenses a comparecer ao MT Hemocentro nesta segunda-feira e aproveitar a ocasião para doar sangue.
“O MT Hemocentro é um símbolo de solidariedade e de amor ao próximo que precisamos celebrar. Contamos com a presença da população para nos ajudar a continuar salvando vidas”, destacou a secretária.
O diretor do MT Hemocentro, Fernando Henrique Modolo, reforça o convite para o aniversário nesta segunda-feira e já antecipa que a unidade estará aberta no próximo sábado (21), das 7h30 às 12h, para atender as pessoas que não conseguem comparecer durante a semana e para reforçar os estoques.
“É maravilhoso quando vemos o banco de sangue público lotado de voluntários dispostos a fazer a diferença. A doação de sangue é um gesto simples e que não leva tanto tempo, mas que emociona quando pensamos nas vidas que serão salvas”, afirmou o diretor.
No momento, os estoques do MT Hemocentro de sangue tipo B+ estão em alerta e, os tipos O+, O-, B- e AB-, em estado de atenção.
Além da unidade sede do MT Hemocentro, a Hemorrede do Estado conta com 14 Unidades de Coleta e Transfusão (UCTs) distribuídas nas cidades de Água Boa, Alta Floresta, Barra do Bugres, Barra do Garças, Cáceres, Colíder, Juara, Juína, Porto Alegre do Norte, Primavera do Leste, Rondonópolis, Sorriso, Sinop e Tangará da Serra. Mato Grosso tem ainda 31 Agências Transfusionais.
Quem pode doar?
O voluntário que quiser doar sangue precisa apresentar um documento oficial com foto, pesar 50kg ou mais, estar em bom estado de saúde e ter feito uma refeição equilibrada: o doador deve estar bem alimentado para poder efetuar a doação e não pode estar em jejum.
Podem doar pessoas com idade entre 16 e 69 anos, 11 meses e 29 dias. Quem tem entre 60 e 69 anos só poderá doar sangue se já tiver doado antes dos 60 anos. Adolescentes de 16 e 17 anos devem levar uma autorização dos pais ou responsável legal para fazer a doação.
Homens podem doar até quatro vezes ao ano, com um intervalo de dois meses entre as doações; já as mulheres podem fazer três doações anuais, respeitando o intervalo de três meses. São coletados até 450 ml de sangue por sessão e recomenda-se evitar exercícios físicos e consumo de álcool após a doação.
Serviço
Para agendar a doação de sangue na sede do MT Hemocentro, basta acessar o Sistema de Agendamento. O voluntário também pode fazer o agendamento pelo telefone (65) 98433-0624 (WhatsApp, somente mensagem), ou pelo número (65) 3623-0044, ramais 2024, 2025 e 2026.
Para quem compareceu ao banco de sangue e, por algum motivo, não pôde doar, o MT Hemocentro fornece um comprovante de comparecimento e, para quem efetuou a doação de sangue, é entregue o atestado de doação de sangue para justificar a ausência no trabalho.
Saúde
Mato Grosso aplica R$ 5,6 bilhões na saúde e supera mínimo constitucional
Relatório aponta investimento de 16% no setor; apesar dos avanços em infraestrutura, mas ainda revela déficit de UTIs neonatais e pediátricas, além de desafios no combate à hanseníase e na saúde indígena
O balancete financeiro e orçamentário do 3º quadrimestre de 2025 da Secretaria de Estado de Saúde (SES) revela que Mato Grosso destinou R$ 5,669 bilhões à área, com 16% do orçamento aplicado acima do mínimo constitucional de 12%. Apresentado nesta quinta-feira (30), em audiência pública, à Comissão de Saúde, Previdência, Assistência Social da Assembleia Legislativa, o relatório destaca investimentos de R$ 891,4 milhões em obras e infraestrutura, mas também expõe desafios na qualidade do atendimento, como a falta de leitos de UTI neonatal e pediátrica em regiões como o Araguaia.
A apresentação do relatório foi feita pela chefe do Núcleo de Gestão da Secretaria de Estado de Saúde, Claudete de Souza Maria. De acordo com ela, o documento evidencia um esforço acima do mínimo constitucional na aplicação de recursos. Apesar de não representar um crescimento expressivo em relação aos últimos anos, Claudete afirmou que os investimentos já vinham sendo elevados desde 2023, consolidando uma tendência de priorização da área.
“O desempenho coloca Mato Grosso em posição de destaque na região Centro-Oeste em termos proporcionais de investimento em saúde. Nosso orçamento para a saúde foi de 16%, o que é relevante para o estado”, pontuou. Ela ressaltou ainda que a maior parte dos recursos é destinada às despesas correntes, como manutenção da estrutura e pagamento de pessoal, consideradas essenciais para o funcionamento da rede pública.
O relatório também aponta que a aplicação de R$ 891 milhões foi destinada à conclusão de unidades hospitalares e melhorias na infraestrutura da secretaria. Entre as ações, estão obras em hospitais estratégicos, como o Hospital Central, além da inauguração da nova sede da pasta no fim do ano. Para Claudete, os aportes reforçam o compromisso com a ampliação e qualificação da rede de atendimento.
Foto: ANGELO VARELA / ALMT
O presidente da Comissão de Saúde, deputado Dr. Eugênio (Republicamos), destacou que a exposição teve caráter técnico, centrado em números, sem espaço para debate mais aprofundado sobre a evolução da saúde pública em Mato Grosso. Segundo ele, apesar dos avanços significativos na infraestrutura com a entrega e conclusão de hospitais em diversas regiões, como o Hospital Central, ainda persistem problemas no atendimento à população.
O parlamentar afirmou que reconhece o esforço do governo em estruturar a rede física de saúde, mas ponderou que o próximo desafio é garantir que esses investimentos se traduzam em melhorias efetivas na assistência, levando serviços de qualidade à população.
Durante a audiência pública, ele questionou três pontos que foram poucos explorados pelo governo, como o baixo investimento em UTIs, que segundo ele, nos 34 municípios que compõem a região do Araguaia não há nenhum leito de UTI neonatal e de UTI pediátrica. Além do baixo investimento no combate a hanseníase e a saúde bucal indígena em Mato Grosso.
Segundo o parlamentar, muitas UTIs foram criadas, mas não foram regulamentadas. “Então essa é uma briga nossa para que nós possamos preencher esses vazios, principalmente da UTI neonatal e pediátrica. Outro número que chamou bastante atenção foi o investimento. Temos um vazio de 100% da questão envolvendo UTI pediátrico e neonatal no Araguaia”, disse Dr. Eugênio.
Outro ponto questionado pelo parlamentar foi a pouca atenção que o governo dá à saúde bucal às 46 etnias dos povos originários mato-grossenses. “O atendimento primário à saúde indígena é feito pelos municípios e acaba atingindo de uma certa forma, mas o secundário e o terciário não é feito nada, absolutamente nada “, disse o parlamentar.
Na avaliação do deputado Dr. Eugênio, Mato Grosso enfrenta um paradoxo: embora lidere a produção de commodities, também apresenta altos índices de hanseníase, problema que, segundo ele, ainda é negligenciado. O parlamentar destacou que, enquanto países como o Chile conseguiram erradicar a doença, o estado permanece entre os que mais registram casos no país.
Para ele, o enfrentamento da hanseníase precisa ser tratado como prioridade de saúde pública, com atuação conjunta entre municípios e governo estadual. Embora a execução das ações seja municipalizada, Dr. Eugênio defende que o Estado assuma protagonismo na coordenação e ampliação de políticas, especialmente por meio de educação continuada, como estratégia essencial para reduzir e, eventualmente, eliminar a doença.
