Política
Debate na ALMT expõe crise no Samu em MT, com demissões, baixa cobertura e promessa de reforço federal
Reunião com representante do Ministério da Saúde discute desligamento de profissionais, possível desativação de unidades e envio de novas ambulâncias ao estado
Política
A Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso debateu, nesta terça-feira (28), a situação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no estado, em meio à demissão de 56 profissionais na Baixada Cuiabana e à possibilidade de desativação de unidades. O encontro teve a presença de representantes do Ministério da Saúde, do governo do estado e servidores do serviço de urgência para discutir alternativas que evitem o enfraquecimento do atendimento em Cuiabá, Várzea Grande e região.
Durante o encontro, o diretor do Ministério da Saúde, Fernando Figueira, apontou que a cobertura do serviço em Mato Grosso é de cerca de 58%, abaixo da média nacional de 90%, e anunciou o envio de aproximadamente 52 novas ambulâncias. Autoridades estaduais e parlamentares também discutiram a necessidade de ampliar recursos, garantir a gestão do Samu na área da saúde e buscar soluções para evitar prejuízos no atendimento à população.
O Samu, na avaliação de Figueira, deve ser tratado como uma política de Estado, com continuidade e prioridade independentemente de gestões governamentais. “É uma política estruturante da saúde pública, que precisa de estabilidade e compromisso permanente”, afirmou.
O diretor também anunciou a ampliação da frota em todo o país. De acordo com ele, o governo federal prevê a entrega de até 4 mil ambulâncias até o final de junho. Para Mato Grosso, a estimativa é de que cerca de 52 novas unidades sejam destinadas, o que pode contribuir para ampliar o alcance do serviço no estado.
Foto: ANGELO VARELA / ALMT
Outro ponto ressaltado foi a necessidade de manter a gestão do Samu exclusivamente no âmbito da saúde. Figueira enfatizou que o serviço não deve estar subordinado a outros entes que não sejam da área, reforçando que a prioridade é evitar prejuízos à população e garantir a eficiência no atendimento de urgência e emergência.
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi (Podemos), afirmou que a reunião entre o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e os servidores do Samu representa “uma sinalização bastante positiva” para a categoria. Segundo ele, houve uma interpretação equivocada sobre um suposto encerramento do serviço. “Foi entendido de forma errada o fechamento do Samu, pintando o governador como um monstro que queria essa maldade. Isso não é a realidade”, declarou Russi.
O parlamentar também cobrou do diretor do Ministério da Saúde, Fernando Figueira, a ampliação dos repasses federais destinados aos municípios de Mato Grosso. De acordo com Russi, a insuficiência de recursos tem sido um dos principais entraves para a expansão do Samu no estado, diante da dificuldade financeira das prefeituras.
“O último reajuste foi em 2023, e os prefeitos estão cobrando. Em conversa com o governador, questionei se, caso os municípios queiram ampliar o serviço, o Estado entraria com a contrapartida. O governador é sensível e não quer que Mato Grosso permaneça entre os últimos colocados, mas avance nessa política pública”, afirmou Russi.
O governador Otaviano Pivetta afirmou que o Estado já destinou um aporte inicial de R$ 400 milhões ao SUS-Mato Grosso, com o objetivo de reduzir filas e eliminar esperas consideradas injustificadas no atendimento à população. Segundo ele, a iniciativa busca fortalecer o sistema público de saúde, respeitando sua natureza tripartite, que envolve responsabilidades compartilhadas entre União, estados e municípios.
Foto: ANGELO VARELA / ALMT
Pivetta destacou ainda que o Samu é um programa criado pelo governo federal para adesão dos municípios, permitindo a ampliação do atendimento de urgência e emergência em todo o país. Durante a fala, o governador também assumiu compromisso com os profissionais do Samu, garantindo que o Estado está disposto a assegurar o funcionamento do serviço em todos os municípios mato-grossenses.
Ele ressaltou que, ao longo dos anos, o crescimento do estado trouxe novos desafios e exigiu o fortalecimento de estruturas como o Corpo de Bombeiros, que, segundo ele, possui um quadro técnico qualificado, comparável ao do próprio Samu. Pivetta frisou que os servidores das duas instituições devem ser reconhecidos de forma igualitária, evitando comparações que possam gerar desvalorização.
Ao abordar a situação específica de Cuiabá, o governador relembrou que, em 2007, o município optou por não aderir ao Samu, firmando um acordo para que o governo estadual assumisse a implementação do serviço. Ele defendeu transparência no debate e disse não ter interesse em conflitos com os servidores.
Sobre a demissão de 56 colaboradores, Pivetta informou que irá convocar reuniões individuais ainda nesta semana para avaliar o cenário do Samu e do Corpo de Bombeiros na capital. O governador admitiu a possibilidade de rever contratos, destacando que a decisão será tomada de forma conjunta, com foco na eficiência do serviço e na responsabilidade com os recursos públicos.
O primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, deputado Dr. João (MDB), criticou possíveis mudanças no modelo atual do Samu, afirmando que o governo estaria “inventando a roda” ao propor alterações em um sistema que, segundo ele, já funciona.
O parlamentar destacou a relevância do Sistema Único de Saúde (SUS) como uma das principais referências do país e defendeu maior razoabilidade nas decisões da gestão estadual. Dr. João também manifestou expectativa de que o secretário de Saúde, Juliano Melo, conduza o tema com equilíbrio e encontre uma solução para o que classificou como um “imbróglio” envolvendo o Samu.
Para o deputado estadual Lúdio Cabral (PT), que está em licença, mas é integrante da Comissão de Saúde, o modelo atual de atendimento pré-hospitalar em Mato Grosso tem gerado críticas quanto à sua condução e organização, especialmente no que diz respeito ao papel do Samu e do Corpo de Bombeiros.
De acordo com Cabral, o médico regulador do Samu exerce função central no atendimento, atuando como se estivesse em um consultório ao orientar os primeiros procedimentos e acionar a rede adequada para cada ocorrência. Esse sistema permitiria maior eficiência e otimização de recursos, evitando, por exemplo, o envio simultâneo de viaturas distintas para o mesmo caso.
Mas na prática, segundo Cabral, o estado estaria se distanciando desse modelo. “Há apontamentos de que o Corpo de Bombeiros vem assumindo, de forma gradual, atribuições que seriam próprias do Samu, o que configuraria uma substituição indevida e não apenas atuação complementar”, disse o parlamentar.
Lúdio Cabral apontou que auditoria realizada pelo Ministério da Saúde – na semana passada – identificou falhas estruturais, como a ausência de um espaço exclusivo para a regulação médica, atualmente compartilhada com atendimentos do 190 e 193. Além disso, há inexistência de coordenação médica presencial, exigida por normas do Conselho Regional de Medicina.
Outro ponto sensível diz respeito à confidencialidade das informações de saúde, que, segundo o relato, não deveriam circular entre profissionais que não atuam diretamente na área médica. Soma-se a isso o impacto das 56 demissões recentes, que estariam comprometendo o funcionamento das ambulâncias, algumas das quais permanecem paradas por falta de equipes.
Apesar das críticas, de acordo com Cabral, a avaliação reforça que não se trata de sobrepor instituições, mas de alinhar o atendimento pré-hospitalar às diretrizes do SUS e aos protocolos do Samu, garantindo que o Corpo de Bombeiros atue de forma complementar. A necessidade, segundo ele, é de reestruturação e adequação técnica do sistema, com base em normas já estabelecidas, para assegurar a eficiência e a qualidade no atendimento à população.
Política
Fato ou Boato: nova página para Eleições 2026 amplia ferramentas de combate à desinformação
Plataforma da Justiça Eleitoral reúne checagens, conteúdos educativos e informações verificadas para ajudar na identificação de notícias falsas
A página Fato ou Boato foi reformulada e atualizada para as Eleições 2026 com o objetivo de ampliar o acesso da população a informações verificadas sobre o processo eleitoral e fortalecer o combate à desinformação.
Acesse a nova página Fato ou Boato.
A plataforma passou por adequações à identidade visual e por uma atualização tecnológica que modernizou sua estrutura e trouxe melhorias para a gestão de conteúdo. As mudanças reforçam a segurança do sistema, com avanços nos mecanismos de proteção, e aumentam o desempenho da plataforma, tornando a navegação e o gerenciamento das informações mais ágeis e eficientes.
A plataforma
Criada em setembro de 2020, a página integra o Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação e é uma das principais iniciativas da Justiça Eleitoral para esclarecer informações falsas ou enganosas relacionadas às eleições. A plataforma também reúne conteúdos produzidos por instituições e agências de checagem que participam da rede nacional de verificação de informações sobre o processo eleitoral.
Na plataforma, é possível pesquisar checagens e utilizar filtros por categorias, instituições e períodos, o que facilita a consulta a conteúdos já verificados. A página também apresenta as últimas checagens e materiais educativos sobre como identificar informações falsas.
Entre as orientações, estão exemplos de cuidados a serem tomados, como verificar a fonte da notícia, ler o conteúdo completo da reportagem em vez de considerar apenas o título e observar atentamente o endereço eletrônico do site. A recomendação é redobrar a atenção antes de compartilhar conteúdos recebidos por redes sociais e aplicativos de mensagens.
Rede de parceiros
O Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação conta com a participação de instituições públicas e privadas e mantém parceria com agências especializadas em checagem de informações. Atualmente, são dez parceiras: AFP, Agência Lupa, Aos Fatos, Boatos.org, Comprova, E-farsas, Estadão Verifica, Fato ou Fake, Justiça Eleitoral e UOL Confere.
A atuação conjunta busca ampliar a circulação de conteúdos verificados e contribuir para que eleitoras e eleitores tenham acesso a informações confiáveis durante o período eleitoral.
Principal alvo de desinformação
A urna eletrônica ocupa espaço central entre os temas atingidos por conteúdos falsos em períodos eleitorais. Por isso, a plataforma reúne esclarecimentos sobre diferentes alegações relacionadas ao equipamento que circulam em sites, redes sociais e grupos de mensagens.
Entre os conteúdos desmentidos, estão afirmações de que a urna seria projetada por empresas privadas ou que estaria vulnerável a ataques externos pela internet ou a supostos ataques internos.
A página também disponibiliza conteúdos específicos para esclarecer dúvidas sobre a segurança do sistema eletrônico de votação e reúne vídeos produzidos para ampliar o acesso às informações.
EC/JV/DB
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