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Cultura

Artista mato-grossense assina identidade visual do Circuito Brasileiro de Skate no Parque Novo Mato Grosso

A arte de Babu Seteoito estará estampada em todo Skate Park, espaço que integra o complexo de eventos construído pelo Governo de Mato Grosso

Publicado em

Cultura

SECEL
O artista mato-grossense, Babu Seteoito, assina a identidade visual da 4ª etapa do principal Circuito Brasileiro de Skate, o STU National 2026, que ocorre entre sexta-feira e domingo (26 e 28.6), no Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá. A arte do desenhista e grafiteiro estará estampada em todo Skate Park, espaço considerado o maior da América Latina e que integra o complexo de eventos construído pelo Governo de Mato Grosso.

“Que orgulho ter a arte do Babu Seteoito neste importante circuito de skate. É um reconhecimento nacional ao talento de um dos principais expoentes da arte urbana mato-grossense. E com certeza Babu dá o tom perfeito para o evento, conectando o skate, o grafite e a cultura do nosso Estado, de forma única e vibrante!”, celebra o secretário de Estado de Cultura, Esporte e Lazer, David Moura.

A ligação do artista com o skate vem desde seus 11 anos, quando começou a praticar a modalidade. Agora, aos 47 anos, Babu Seteoito trouxe essa memória afetiva e suas raízes para aplicar na identidade visual nesta etapa inédita em sua terra natal, mostrando também “um Mato Grosso que vejo profundo”.

“Quando o STU me procurou, pensei logo que era uma boa oportunidade de dar continuidade a um trabalho que eu já vinha fazendo, que é uma série de carrancas mato-grossenses, que são essas cabeças de boi geralmente encontradas nas porteiras das fazendas, nos quilombos. Mato Grosso na veia! E elas são como um amuleto para espantar mau-olhados. Adicionei plantas do meu jardim, elemento que sempre coloco nas minhas pinturas, além, claro, de dois skates que formam um coração”, contou o artista.

Natural de Cuiabá, Babu Seteoito tem uma trajetória marcada pela transformação de espaços públicos e pelo forte vínculo entre a cultura de rua e as artes visuais contemporâneas. Com expressivos murais urbanos e criações em estúdio, que envolvem ilustrações, pinturas e telas, sua produção já ganhou visibilidade por todo o Brasil e em outros países.

Suas obras trazem cores, traços e identidade mato-grossenses, em narrativas visuais que abordam experiências do cotidiano, imaginário popular e a força simbólica das ruas. Os trabalhos do artista trazem também referências da flora e fauna brasileiras, além de cenas de conflitos urbanos, provocando reflexões sobre as tensões e contradições da realidade.

STU National 2026

O STU National 2026 reúne os principais skatistas do país em disputas nas modalidades Park e Street. O Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá, recebe a 4ª etapa da competição, que já passou por Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC) e Criciúma (SC), e será finalizada em Salvador (BA).

A entrada é gratuita. Para as semifinais e finais, nos dias 27 e 28 de junho (sábado e domingo), os ingressos devem ser retirados antecipadamente pelos links abaixo.

Ingressos para as semifinais: AQUI
Ingressos para as finais: AQUI

A classificação etária é livre e cada pessoa tem o direito a retirar até 2 ingressos (crianças de até 5 anos não precisam de ingressos).

O acesso se dará por meio da validação do QR Code do ingresso. Não serão aceitos QR Codes impressos e capturas de tela. A doação de 1kg de alimento não perecível será necessária para validar a entrada com o ingresso.

Cadastramento de imprensa

O credenciamento de imprensa para a quarta etapa do STU National 2026 segue aberta até quinta-feira (25.6) neste link. Todos receberão resposta por e-mail, sendo que a credencial (pulseira) será retirada na chegada ao evento.

Na quinta-feira (25), às 11h, representantes da STU (Skate Total Urbe) e alguns dos principais skatistas estarão no local do evento para uma coletiva de imprensa.

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Cultura

Dia da Dança (29 de abril): Câmara de Cuiabá aprova lei que institui o Siriri e o Cururu como patrimônio imaterial da cidade

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Site UOL
Os vereadores de Cuiabá aprovaram, e o prefeito municipal sancionou, em 2025, o projeto de lei que institui duas manifestações culturais tradicionais da capital —o Siriri e o Cururu — como patrimônio histórico e cultural imaterial de Cuiabá (Lei Municipal nº 7.339/2025). De autoria do vereador Eduardo Magalhães, a legislação visa preservar a herança histórica, cultural e social dessas duas importantes manifestações culturais da cuiabania, devendo ao poder público o auxílio aos grupos artísticos e a promoção de eventos. Mas o que é o cururu e o siriri? O que significa instituí-los como patrimônio imaterial da cidade? Quais são os principais benefícios e desafios com essa institucionalização?
O escritor Roberto Loureiro apresenta em sua obra —Cultura mato-grossense: Festas de Santos e outras tradições— as origens e características dessas duas manifestações artísticas e culturais. O siriri é uma dança típica regional composta por elementos africanos, portugueses e espanhóis. Pesquisas indicam que o seu nome estaria relacionado à forma alada dos cupins, que voariam em torno das luminárias, em um ritmo parecido com uma dança. A coreografia segue a essência do carimbó — dança de roda, típica do nordeste do Pará. Os bailarinos dançam, ora em roda, ora em fileiras, batendo palmas e pés, de preferência descalços, e cantando em respostas aos versos dos violeiros. A indumentária é simples, a mesma que é usada no cotidiano, mas em eventos especiais as mulheres usam saias com estampas de folhas e flores e uma delicada flor no cabelo; os homens apresentam-se com calças de cores diversas, camisa de manga arregaçada e lenço no pescoço.
O cururu teria sido, de acordo com Loureiro, trazido à região pela ordem religiosa dos jesuítas no período colonial. Após a expulsão dos jesuítas em 1759, outras ordens não aceitaram o cururu, e ele passou a substituir a liturgia católica nas Festas de Santos das zonas rurais. Loureiro diz que o cururu é uma música e/ou dança executada por dois ou mais cururueiros que cantam — dançando  ou não — em dupla, em desafio à outra, ou com mais parceiros. É uma música de poucas notas, repetitiva, acompanhada pelo ritmo marcado pelas violas de cocho e ganzás, trovos (versos), carreiras (conjunto de versos) e toadas (versos curtos e sem rima) sobre religião, comandos de rituais sagrados, assuntos do cotidiano e outros temas, em uma voz anasalada, muito difícil de ser entendida por quem não é da região. Inicialmente aberta às mulheres, a dança restringe-se atualmente aos homens, que cantam geralmente em pé, balançando o corpo no ritmo da música. Quem dança fica em fila única, criando um círculo, que roda no sentido do braço das violas — horário. A coreografia resume-se a dar dois passos mais longos à frente e fazer uma breve parada, quando se juntam os pés, para depois repetir o movimento, sempre balançando o corpo no ritmo dos instrumentos.
A UNESCO publicou em 2003 a Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial com o propósito de incentivar os países a identificarem e preservarem suas tradições e expressões culturais. Antes disso, o Brasil havia instituído, em 2000, o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial (Decreto Federal nº 3.551/2000) que normatiza a inclusão de elementos culturais como patrimônio imaterial no país. O bem imaterial é intangível, ou seja, não tem existência física. Diferente de uma escultura, que pode vir a ser um patrimônio material — se tombado —, deve estar preservada em um espaço físico adequado (um museu), o patrimônio imaterial, como uma dança, pode se perder entre as gerações. Daí a importância do seu reconhecimento para o implemento de políticas públicas. Aaron Lopes afirma que o cururu e o siriri sofreram um esquecimento acentuado em Mato Grosso desde a década de 1950, em virtude de fatores como a modernidade, os fluxos migratórios, a grande mídia e a uniformização da produção cultural.
O poder público vem apoiando ações de fomento em Mato Grosso. Um grande exemplo é o apoio ao Festival Cururu Siriri, realizado anualmente desde 2002. Aaron Lopes acompanhou as edições de 2009 e 2010 durante as pesquisas para o seu mestrado, e afirma que o propósito dos organizadores do evento é resgatar as tradições e profissionalizar os grupos de músicos e dançarinos, alavancando o turismo e o entretenimento local. No entanto, inseriram elementos externos— música gospel, pop, violão e sanfona — para atrair o público, em especial nas apresentações do siriri, que possui destaque visual, assemelhando às quadrilhas juninas. Já no cururu, onde os aspectos visuais não são o foco principal, Lopes percebe a manutenção do original, criando um “choque de mundos” entre o tradicional (antigo) e o moderno. Afirma ainda, que as apresentações de cururu eram feitas majoritariamente pelos mais velhos, que se sentiam, de certa forma, acanhados em um contexto tão diferente.
As adaptações a um novo público e o desinteresse das novas gerações em participarem, em especial como cururueiros e dançarinos, podem prejudicar a essência e a continuidade. Por isso, a instituição do siriri e do cururu como patrimônio imaterial de Cuiabá pela Câmara Municipal é um passo importantíssimo, funcionando não somente como um título honroso, mas sim uma ferramenta jurídica e política. É preciso identificar o que originalmente são essas manifestações culturais para assim propor ações a fim de desvinculá-los de outras vertentes culturais, empoderando a sua identidade, garantindo a propriedade cultural e prestigiando os grupos tradicionais, inclusive para que consigam sobreviver através dessa ilustre tarefa que beneficia toda a população cuiabana.
Secretaria de Apoio à Cultura
memoria@camaracuiaba.mt.gov.br
Fontes de pesquisa:
LOPES, Aaron Roberto de Mello. O Festival Cururu Siriri e seus impactos: Espetacularização, Revalorização e Transformação de duas tradições. EMUS/UFBA, 2010.
LOUREIRO, Roberto. Cultura mato-grossense: Festas de Santos e outras tradições. Cuiabá-MT: Entrelinhas, 2006.
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